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Artigo

DICAS DE SEGURANÇA EM MANIFESTAÇÕES

28 dicas de segurança em manifestações; segurança digital e vigilância; preparação e logística; conduta durante o ato; repressão jurídica e detenção.

Coletivo FERA · 25 de outubro de 2026

Gravura em vermelho e preto: mochila, estojo de primeiros socorros, apito, celular, lenço e garrafa de água sobre um banco de pedra, ao lado de cartazes encostados na parede
Par de tênis vermelhos de cano baixo com cadarços claros
Apito vermelho preso a um cordão
Garrafa de água vermelha de metal
Óculos de proteção vedados e máscara respiratória com dois filtros
Estojo vermelho de primeiros socorros com uma cruz branca

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SEGURANÇA DIGITAL E VIGILÂNCIA

A Defesa Começa Antes

Gravura em vermelho e preto: celular com um cadeado dourado na tela, ligado a uma bateria externa, sobre um mapa dobrado numa mesa de madeira

01 A Opção Mais Radical: Deixe o Celular em Casa. A recomendação mais contundente de fontes anarquistas é, se possível, não levar o celular para a manifestação. O aparelho é um rastreador em potencial, e sua geolocalização e dados podem ser usados pela polícia para mapear ativistas e suas redes de contato.

02 Se Levar, Prepare-o para o Pior. Caso não seja possível deixá-lo:

  • Apague Conversas e Use um PIN Forte: Evite códigos como "1234" ou "1312" (que a polícia testa rotineiramente). Apague mensagens e conversas sensíveis.
  • Ative a Criptografia de Dispositivo: Garanta que a criptografia de disco completo esteja ativada, protegida por uma senha forte (8-12 caracteres aleatórios). Isso protege os dados caso o aparelho seja confiscado.
  • Desative a Biometria: O desbloqueio por facial ou digital pode ser forçado. Use apenas senha/PIN. Há relatos de ativistas forçados a desbloquear aparelhos por reconhecimento facial durante interrogatórios.

03 Anonimato Visual é Proteção Coletiva. Cobrir o rosto não é apenas para quem vai praticar ações diretas. Em uma manifestação, quanto mais pessoas estiverem mascaradas, mais protegidas estarão aquelas que agem. O uso de máscaras (como N-95, por razões sanitárias) e óculos de proteção ajuda a dificultar a identificação por câmeras de vigilância.

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PREPARAÇÃO E LOGÍSTICA

Vá para Ficar e Voltar

Gravura em vermelho e preto: mochila aberta com garrafa de água, óculos de proteção, máscara respiratória, guarda-chuva, estojo de primeiros socorros, envelope de documentos e caneta

01 "Garantias de Representação": Prepare um "dossiê" com cópias de documentos que mostrem "laços com a sociedade" (contas de luz, holerites, comprovante de matrícula). Em caso de prisão, isso pode ser usado por um juiz para decidir se você pode responder em liberdade, em vez de ficar em prisão preventiva.

02 Anote Informações no Corpo: Em vez de apenas levar um telefone de emergência, anote o número de um advogado ou de uma equipe de apoio jurídico com uma caneta permanente no braço. Isso garante que a informação esteja com você mesmo se for detido e seus pertences forem apreendidos.

03 Vá em "Binômio" ou Grupo de Afinidade: A recomendação de ir em grupo é reforçada pelo conceito de "binômio": uma pessoa com quem você fica o tempo todo, que pode avisar seus familiares se você for preso e que tem a responsabilidade mútua de não se separar.

04 Kit de Autodefesa e Proteção:

  • Para Gás Lacrimogêneo: Leve soro fisiológico para lavar os olhos e máscaras (P3 ou de gás).
  • Para Balas de Borracha (LBD): Fontes anarquistas sugerem óculos de esqui ou máscaras com viseira como proteção.
  • Para a Multidão: Guarda-chuvas e faixas sólidas podem ser usados para criar uma barreira de proteção para todo um cordão de manifestantes.

05 Vista-se para a Multidão: Evite roupas muito largas que possam ser agarradas. Remova piercings e brincos que possam ser arrancados durante um tumulto.

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CONDUTA DURANTE O ATO

Consciência Tática

Gravura em vermelho e preto: celular num tripé sobre uma mureta, filmando uma avenida vazia cercada de grades, ao lado de um apito e de óculos de proteção

01 Conheça o "Inimigo": Fontes anarquistas defendem que é útil saber reconhecer o armamento utilizado pelas forças de ordem (como o LBD, diferentes tipos de granadas) para melhor se proteger. Por exemplo, a granada GM2L projeta uma munição que pode ser fatal; se você a vir, afaste-se imediatamente.

02 Filme a Polícia, não os Manifestantes: A orientação é para documentar a ação policial como forma de responsabilização. No entanto, evite filmar outros manifestantes, especialmente em ações de confronto. Uma parte significativa das pessoas presas é identificada por meio de imagens gravadas por outros manifestantes.

03 Monitore e seja Monitorado: Tenha alguém do grupo, fora do local, monitorando a manifestação por notícias e redes, e mantenha contato regular para informar sobre a situação e sua localização. Em caso de repressão, avise essa pessoa primeiro para garantir sua segurança.

04 A Saída é um Momento Crítico: Muitas prisões ocorrem no retorno para casa, quando o grupo se dispersa e as pessoas ficam sozinhas. Mantenha a atenção redobrada e, se possível, saia em grupo até um ponto seguro.

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REPRESSÃO JURÍDICA E DETENÇÃO

Conheça seus Direitos

Gravura em vermelho e preto: balança da justiça, livro grosso, luminária, bloco de notas e caneta tinteiro sobre uma mesa

01 Direito ao Silêncio (Exceto Identificação): Em caso de abordagem ou detenção, a orientação é não declarar nada além de sua identidade. Tudo o que você disser pode ser usado contra você ou outros camaradas.

02 Exija um Advogado e um Médico: Ao ser detido, exija a presença de um advogado e, se tiver sido violentado, peça para ver um médico.

03 Não Aceite ser Julgado Imediatamente: Se houver uma "comparução imediata" após a detenção, recuse-se a ser julgado na hora. Essas audiências são "expeditas" e tendem a resultar em penas mais severas. Peça tempo para preparar sua defesa.

04 Cuidado com a "Cultura de Segurança": Em grupos mais militantes, há uma ênfase em não compartilhar detalhes de ações ou nomes de participantes, mesmo sob pressão. A segurança do grupo é priorizada, e a quebra dessa confiança é vista como um risco para todos.

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Textos coletivos da FERA — Frente da Esquerda Radical. Nascem do estudo, do debate e da elaboração conjunta entre dezenas de companheiras e companheiros de todo o Brasil: militantes e não militantes, de várias idades, tradições e visões. A assinatura é do coletivo, não de uma pessoa.

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