Carta ao povo trabalhador brasileiro

FERA

A FERA — Frente da Esquerda Radical — nasce do cansaço, da indignação e, sobretudo, da esperança teimosa de quem vive do próprio trabalho. Nasce da certeza de que algo está profundamente errado em nossas vidas, mesmo quando tentam nos convencer de que o problema é individual, de que "faltou esforço", "faltou mérito" ou "faltou paciência".

Nós nos propomos a ser uma organização de organizações, mas, antes disso, somos um espaço de encontro. Um espaço para aproximar quem já está organizado de quem ainda não está. Para construir pontes entre diferentes formas de luta e, principalmente, com a imensa maioria da classe trabalhadora que hoje segue sozinha, sobrecarregada e sem representação real.

Falamos abertamente: a chamada Frente Ampla, que sustenta o governo atual, não nos representa. Mesmo eleita com votos de trabalhadores, ela não luta por mudanças estruturais em nossas vidas. Seu compromisso não é com quem trabalha, mas com a manutenção de um projeto de poder que protege os interesses dos bilionários — no Brasil e fora dele. Enquanto isso, seguimos pagando a conta com nosso tempo, nossa saúde e nossos sonhos.

Também falamos com honestidade sobre quem somos hoje. A FERA ainda não é uma frente consolidada. Somos, em grande parte, indivíduos, muitos de nós ainda sem organização formal. Mas somos mais do que isso: somos semente. Já conseguimos reunir pessoas de diferentes tradições políticas da esquerda — marxistas-leninistas, trotskistas, ecossocialistas, anarquistas, trabalhistas... Não nos une um rótulo. Nos une a disposição de caminhar juntos para transformar a realidade concreta de nossas vidas e das gerações que virão.

Acreditamos que a classe trabalhadora carrega, em si, uma força revolucionária imensa. Mas sabemos também que essa força é constantemente sufocada. A exploração não atua apenas no bolso: ela atua no tempo, no cansaço, na autoestima, na capacidade de imaginar um futuro diferente. Por isso, a conscientização não pode ser um privilégio de quem tem tempo para longas leituras ou acesso a espaços acadêmicos. A maioria de nós não tem esse luxo — e isso não nos torna menos capazes, menos inteligentes ou menos dignos.

Conscientizar é um processo contínuo. Ele passa pelo entendimento racional, mas também pelo que sentimos, pelo que carregamos em silêncio, pelo que aprendemos desde cedo a aceitar como "normal". Precisamos disputar ideias, sim, mas também afetos, valores e sentidos. Precisamos tocar o que é subjetivo, o que é profundo, o que muitas vezes nem sabemos nomear. Precisamos conquistar mentes e corações — começando pelos nossos.

Por isso, não nos colocamos como quem tem todas as respostas. Erramos. Aprendemos. Corrigimos. Seguimos. Sabemos que até os mais conscientes erram, porque viver sob exploração também nos atravessa, nos marca, nos contradiz. Ainda assim, assumimos compromissos claros e inegociáveis: a luta antirracista, a luta antipatriarcal e um horizonte ecossocialista, portanto, anti-capitalista. Não há libertação possível enquanto parte da classe segue oprimida. Não há futuro possível sem enfrentar a destruição da vida.

A luta pela Mãe Terra é a mãe de todas as lutas. Sem Terra, não há trabalho. Sem Terra, não há comida, não há água, não há futuro. Defender a vida não é um tema secundário — é a condição de todas as outras lutas.

É a partir desse lugar que fazemos um convite. Um convite simples e profundo. Para quem sente o peso da exploração todos os dias. Para quem está cansado de promessas vazias, de mudanças que nunca chegam, de escolher sempre entre o menos pior. Para quem desconfia, mas ainda sente que desistir não é uma opção.

A FERA não nasce pronta. Ela se constrói no encontro, na escuta e na luta coletiva. Você não precisa ter uma identidade política definida. Não precisa dominar teorias. Precisa apenas reconhecer que essa vida não é justa — e que ninguém vai transformá-la sozinho.

Se você sente que algo precisa mudar, e que essa mudança só pode vir de baixo, junto com outros e outras como você, a FERA também é seu espaço. Caminhemos juntos. Porque nenhuma luta é individual. E porque um outro futuro só será possível se o construirmos com nossas próprias mãos.

Só o povo trabalhador salvará o povo trabalhador!

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