A experiência de redução da jornada de trabalho aconteceu na CIPLA, indústria de material plástico em Joinville (SC) ocupada em 31 de outubro de 2002 pel@s trabalhador@s após 8 dias de greve, na véspera do segundo turno das eleições para presidente do Brasil.
Logo após assumirem o controle da produção para evitar a falência da empresa e salvar os postos de trabalho, @s operári@s organizad@s aboliram a gestão patronal tradicional.
A ocupação da fábrica pel@s trabalhador@s ocorreu dentro de um contexto histórico marcante de autogestão e controle operário.

DA REDUÇÃO DE 44 HORAS PARA 40 HORAS ATÉ A JORNADA DE 30 HORAS
Em dezembro de 2006, os comitês das fábricas Cipla e Flasko (Sumaré, SP), aprovaram a redução da jornada de 44 horas para 40 horas semanais, durante a Conferência Internacional de Fábricas Ocupadas por Trabalhador@s em Joinville/SC.
Diferente de uma reforma trabalhista tradicional, a redução de horas foi implementada diretamente pel@s própri@s trabalhador@s e tornou-se um dos principais símbolos do Movimento das Fábricas Ocupadas no Brasil.
O alívio na estonteante rotina fabril e a eliminação da pressão patronal abusiva resultaram em uma queda brusca no número de acidentes de trabalho, os atestados médicos desapareceram e a assiduidade era praticamente 100%. Os custos de alimentação diminuíram porque não era mais obrigado a servir almoço e janta, somente lanche, conforme determinação legal. O parque fabril foi preservado e os postos de trabalho foram ampliados, demonstrando a viabilidade técnica da divisão do trabalho na prática.
Apesar dos resultados produtivos e sociais bem-sucedidos que duraram cerca de cinco anos, a experiência operária sofria com o peso de uma dívida de aproximadamente R$ 500 milhões deixada pelos antigos donos (composta majoritariamente por impostos devidos ao governo). Os trabalhador@s pleiteavam a estatização da fábrica sob controle operário junto ao Governo Federal da época, já que o maior credor das dívidas do patrão era com o Estado, mas não obtiveram sucesso.

O DESFECHO DO MOVIMENTO
O movimento se espalhou pelo Brasil e se uniu aos movimentos das fábricas ocupadas na América Latina.
Os trabalhador@s das grandes indústrias passaram a cobrar posição dos sindicatos sobre o tema e por que não tinham os mesmos direitos. Não demorou para os ataques começarem. A burguesia local e nacional começou a reagir.
A Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) e Associação Brasileira das Indústrias de Plásticos (ABIPLAST), foram os articuladores que exigiram do governo federal a intervenção na Cipla.
Em 2007, uma forte intervenção judicial e policial determinou o afastamento do conselho de trabalhador@s, encerrando o período de autogestão na Cipla. A direção sofreu ataques violentos do aparelho do Estado, levando a destruição da gestão operária.
A história da fábrica continua sendo amplamente resgatada por sindicatos e movimentos sociais no Brasil e no mundo, como uma evidência empírica de que a redução de jornada melhora a saúde e a eficiência econômica. A experiência foi marcante e histórica por quase cinco anos.

