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Artigo

TEJE DE BOA

Poema sobre pânico, organização e esperança revolucionária.

Tempestade de Agosto · 6 de outubro de 2026

Foto de um broto de feijão.

‘NÃO ENTRE EM PÂNICO’

Está escrito na parte de trás da capa do Guia do Mochileiro das Galáxias de Douglas Adams.

Não existe Guia pra nossa realidade terrena.

Na nossa realidade existe pânico.

Muito pânico.


Neste mês de Outubro de 2026, milhões de Brasileiros passam medo tremendo.

Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a presidência em segundo turno de eleições.

O ataque imperial estadunidense se faz mais forte.

Flávio é total entreguismo.

Lula é parcial entreguismo.

O império da OTAN nunca estará satisfeito com parte.

O império da OTAN aplica o fascismo para proteger o capitalismo.


Hoje, meu coração não bate no mesmo passo descompassado.

Mas meses atrás batia assim, sim.

Pois me dei conta de que muita morte se aproxima.

A possibilidade da perda de meus amores.

A possibilidade da minha ser uma delas.

Afinal, vento sopra e meu corpo pede arrego.

Afinal, meu final não demorará a vir.

‘Você é nova!’

E criança não morre?

Afinal, não passamos os últimos anos assistindo mais de 70 mil crianças Palestinas assassinadas por Israel?

Afinal, o genocídio de Palestinos e Sudaneses não está escancarado?

A escrita no muro das lamentações é pintada com sangue em letras garrafais.

Eu já chorei o que tinha de ser chorado.

Nem precisam envenenar meu poço: secou.

Já estou em paz com minha mortalidade.

Sofrimento experienciei um tanto e parte dele sempre seguirá em meus ossos.

Meu pânico já veio e foi embora porque estive prestando atenção.

Fui avisada que a Palestina era vitrine de futuro.

Captei a mensagem que o que fazem lá é promessa de fazer em todo lugar.

Captei a mensagem que o que fazem há centenas de anos com os pretos da Bahia e favelas cariocas é treino pra expansão nacional.


Se estou calma e escrevo em paz é porque já venci a guerra em meu coração.

Fiz as escolhas difíceis.

Corrigi a rota e o cenário que passa pelas minhas janelas é de nova vida.

Incerta! Não sei de porra alguma.

Sei de que:

Velho ruim morre devagar.

Pior a cada maldito dia que estrangula a vida de todas.

Inclusive do que ainda está para nascer.

Eu e minhas melhores amigas curtimos Gramsci, curta também!

Gestações turbulentas ainda parem maravilhosas filhas.

Independentemente, há de se cuidar de gestantes.


Há de se ter a esperança revolucionária que não só espera acontecer, mas o faz.

Organize-se.

Procure organizações que já existem.

Grupos de humanas que sustentam humanidades.

Não te respondeu? Próxima da lista!

Tapa o buraco da necessidade que não tá sendo atendida.

Vai ter muita fome e sede pra matar, todo esforço faz diferença.

Cada sementinha importa.

Num adianta nada ficar olhando a terra esperando broto sem semear.


Adianto que não é fácil mas, fora explorar o trabalhador, o que que é?

Isso tudo foi o que eu passei.

O que passo, o que passarei, o que passaremos.

‘Mas tudo passa. Tudo passará’ – NED, Nelson

Contanto que crie-se alternativa.

Cria com alma, cria com coração, cria com tesão.

Faz do seu jeito, aprendendo com erros alheios.

Cria a antítese do desespero, um oásis no deserto.

Junta conhecimentos coletivos de jeitinho Brasileiro.

Traga alívio pra si mesma e pra quem tu ama.

Junta forças com gente humana de verdade.

Traga maior dignidade à nós todas.


Não existe Guia pra sobrevivência brasileira, mas fica dica:

TEJE DE BOA.

Desespero faz a afogante afogar o resgate.

Respira. Escreve. Abraça alguém. Bebe uma água. Soca um fascista.

Adentra como membra integral, corpo e alma, da classe trabalhadora.

O pânico vai abrir alas pois o povo vai passar.



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Tempestade de Agosto

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